Vladímir Ilich Uliánov LENINE
Que fazer?
Problemas candentes do nosso
movimento
III
POLÍTICA TRADE-UNIONISTA E POLÍTICA SOCIAL-DEMOCRATA
e) A classe operária como combatente de vanguarda pola democracia
Já vimos que a realizaçom da mais ampla agitaçom política e, por conseqüência, a organizaçom de denúncias políticas em todos os aspectos, constituem umha tarefa absolutamente necessária, a tarefa mais imperiosamente necessária da actividade, sempre que esta actividade seja verdadeiramente social-democrata. Mas chegamos a esta conclusom partindo unicamente da necessidade premente que a classe operária tem de conhecimentos políticos e de educaçom política. Pois bem, esta maneira de pôr o problema seria demasiado restrita, ignoraria as tarefas democráticas gerais de toda a social-democracia em geral e da social-democracia russa actual em particular. Para explicar esta tese o mais concretamante possível, abordaremos o problema do ponto de vista mais «familiar» ao «economista», isto é, do ponto de vista prático. «Todos estám de acordo» que é necessário desenvolver a consciência política da classe operária. Pergunta-se, como fazê-lo e o que é necessário para o fazer? A luita económica «leva» os operários a pensar unicamente nos problemas relacionados com a atitude do governo em relaçom à classe operária, por isso, por mais que nos esforcemos na tarefa de «imprimir à própria luita económica um carácter político», nunca poderemos, dentro dos limites de tal tarefa, desenvolver a consciência política dos operários (até o grau de consciência política social-democrata) porque esses próprios limites som estreitos. A fórmula de Martínov é-nos preciosa nom como prova do confusionismo do seu autor, mas porque exprime com relevo o erro fundamental de todos os «economistas», a saber: a convicçom de que se pode desenvolver a consciência política de classe dos operários a partir de dentro, por assim dizer, da sua luita económica, isto é, tomando unicamente (ou, polo menos, principalmente) esta luita como ponto de partida, baseando-se unicamente (ou, polo menos, principalmente) nesta luita. Esta opiniom é falsa de ponta a ponta; e precisamente porque os «economistas», furiosos com a nossa polémica com eles, nom querem reflectir com seriedade na origem das nossas divergências, acabamos, literalmente, por nom nos compreender, por falar línguas diferentes.
A consciência política de classe nom pode ser levada ao operário senom do exterior, isto é, de fora da luita económica, de fora da esfera das relaçons entre operários e patrons. A única esfera em que se pode obter estes conhecimentos é na esfera das relaçons de todas as classes e camadas com o Estado e o governo, na esfera das relaçons de todas as classes entre si. Por isso, à pergunta: «que fazer para levar conhecimentos políticos aos operários?», nom se pode dar unicamente a resposta com que se contentam, na maioria dos casos, os militantes dedicados ao trabalho prático, sem falar já dos que pendem para o «economismo», ou seja: «Há que ir aos operários.» Para levar aos operários conhecimentos políticos, os social-democratas devem ir a todas as classes da populaçom, devem enviar para toda a parte destacamentos do seu exército.
Se empregamos deliberadamente esta formulaçom rude, se nos exprimimos deliberadamente de forma simplificada e taxativa, nom é de maneira algumha polo prazer de dizer paradoxos, mas para «levar» os «economistas» a pensar bem nas tarefas que desdenham de maneira imperdoável, na diferença que existe entre a política trade-unionista e a política social-democrata, diferença que nom queremos compreender. Por isso, pedimos ao leitor que nom se impaciente e nos ouça com atençom até o fim.
Consideremos, por exemplo, o tipo de círculo social-democrata mais difundido nestes últimos anos e examinemos a sua actividade. «Está em contacto com os operários» e contenta-se com isto, editando folhas volantes em que flagela os abusos cometidos nas fábricas, a parcialidade do governo a favor dos capitalistas, bem como as violências da polícia; nas reunions com os operários, é sobre esses assuntos que decorre geralmente a conversa e quase nom se sai deles; as conferências e debates sobre a história do movimento revolucionário, sobre a política interna e externa do nosso governo, sobre a evoluçom económica da Rússia e da Europa, sobre a situaçom das diferentes classes na sociedade contemporánea, etc., som de umha raridade extrema e ninguém pensa em estabelecer e desenvolver, sistematicamente, relaçons com as outras classes da sociedade. No fundo, o ideal do militante, para os membros de um tal círculo, parece-se, na maioria dos casos, muito mais com o de um secretário de trade-union do que com o de um chefe político socialista. Efectivamente, o secretário de qualquer trade-union inglesa, por exemplo, ajuda constantemente os operários a lançar-se na luita económica, organiza as denúncias dos abusos cometidos nas fábricas, explica a injustiça das leis e regulamentos que restringem a liberdade de greve e a liberdade de colocar piquetes perto das fábricas (para prevenir todos de que foi declarada a greve); explica a parcialidade dos juízes arbitrais que pertencem às classes burguesas da populaçom, etc., etc. Numha palavra, todo secretário de trade-union trava e ajuda a travar «a luita económica contra os patrons e o governo». E nunca será de mais insistir que isto nom é ainda actividade social-democrata, que o ideal do social-democrata nom deve ser o secretário de trade-union, mas o tribuno popular que sabia reagir contra toda a manifestaçom de arbitrariedade e de opressom, onde quer que se produza e qualquer que seja a camada ou a classe social atingida; que saiba sintetizar todos estes factos para traçar um quadro de conjunto da brutalidade policial e da exploraçom capitalista, que saiba aproveitar o mais pequeno pormenor para expor perante todos as suas convicçons socialistas e as suas reivindicaçons democráticas, para explicar a todos e a cada um o alcance histórico-mundial da luita emancipadora do proletariado. Comparade, por exemplo, homens como Robert Knight (secretário e dirigente bem conhecido da Uniom dos operários caldeireiros, um dos mais poderosos sindicatos da lnglaterra) e Wilhelm Liebknecht e apliquemos-lhes os contrastes enumerados por Martínov na exposiçom das suas divergências com o Iskra. Veredes –começo a folhear o artigo de Martínov– que R. Knight «exortou muito mais as massas a acçons concretas determinadas» (39) e que W. Liebknecht se ocupou mais a «abordar, de um ponto de vista revolucionário, todo o regime actual ou as suas manifestaçons parciais» (38-39), que R. Knight «formulou as reivindicaçons imediatas do proletariado e indicou os meios de as satisfazer» (41) e que W. Liebknecht, sem deixar de fazer isto, nom renunciou a «dirigir ao mesmo tempo a enérgica actividade dos diferentes sectores oposicionistas», a «ditar-lhes um programa positivo de acçom» 83 (41); que R. Knight se esforçou precisamente por «imprimir, na medida do possível, à própria luita económica um carácter político» (42) e que soubo na perfeiçom «formular ao governo reivindicaçons concretas que prometiam certos resultados tangíveis» (43), enquanto W. Liebknecht se ocupou muito mais, «de forma unilateral», em «denunciar os abusos» (40); que R. Knight deu muito mais importáncia «à marcha progressiva da cinzenta luita quotidiana» (61) e W. Liebknecht à «propaganda de ideias brilhantes e acabadas» (61); que W. Liebknecht fijo do jornal que dirigia, precisamente, um «órgao da oposiçom revolucionária que denuncia o estado de cousas reinante no nosso país e, sobretudo, o estado de cousas político, na medida em que se opom aos interesses das mais diversas camadas da populaçom» (63), enquanto R. Knight «trabalhou pola causa operária, em estreita ligaçom orgánica com a luita proletária» (63) —se se entender por «estreita ligaçom orgánica» esse culto da espontaneidade que analisamos mais atrás tomando como exemplos Kritchévski e Martínov—, e «restringiu a sua esfera de influência», naturalmente persuadido, como Martínov, que «desse modo se acentuava essa influência» (63). Numha palavra, veredes que Martínov rebaixa de facto a social-democracia ao nível do trade-unionismo, embora, claro está, de modo algum o faga por nom querer o bem da social-democracia, mas, simplesmente, porque se apressou um pouco a aprofundar Plekhánov, em vez de se dar ao trabalho de o compreender.
Mas voltemos à nossa exposiçom. Dixemos que o social-democrata, se é partidário, e nom só em palavras, do desenvolvimento integral da consciência política do proletariado, deve «ir a todas as classes da populaçom». Surgem estas perguntas: Como fazê-lo? Temos forças suficientes para isso? Existe em todas as outras classes terreno para isso? Tal trabalho nom implicará o abandono ou nom levará a abandonar o ponto de vista de classe? Examinemos estas questons.
Devemos «ir a todas as classes da populaçom» como teóricos, como propagandistas, como agitadores e como organizadores. Ninguém duvida que o trabalho teórico dos social-democratas deve orientar-se para o estudo de todas as particularidades da situaçom social e política das diferentes classes. Mas muito, muito pouco se fai neste sentido, muito pouco se compararmos com o trabalho realizado para o estudo das particularidades da vida das fábricas. Nos comités e nos círculos podemos encontrar pessoas que, inclusivamente, estudam a fundo um dado ramo da siderurgia, mas quase nom se encontram exemplos de membros das organizaçons que (obrigados, como acontece por vezes, a deixar a acçom prática por esta ou aquela razom) se ocupem especialmente da recolha de materiais sobre umha questom de actualidade da nossa vida social e política que pudesse dar motivo para um trabalho social-democrata entre outras camadas da populaçom. Quando se fala da fraca preparaçom da maior parte dos actuais dirigentes do movimento operário, nom se pode deixar de mencionar, igualmente, a preparaçom neste aspecto, porque está também ligada à concepçom «economista» da «estreita ligaçom orgánica com a luita proletária». Mas o principal, evidentemente, é a propaganda e a agitaçom entre todas as camadas da populaçom. Para o social-democrata da Europa ocidental este trabalho é facilitado pola existência de reunions e assembleias populares, às quais assistem todos os que o desejam; pola existência do parlamento, onde o representante social-democrata fala perante os deputados de todas as classes. No nosso país, nom temos parlamento nem liberdade de reuniom, mas sabemos, no entanto, organizar reunions com os operários que querem ouvir um social-democrata. Do mesmo modo, devemos saber organizar reunions com representantes de todas as classes da populaçom que queiram ouvir um democrata. Porque nom é social-democrata aquele que, na prática, esquece que «os comunistas apoiam todos os movimentos revolucionários» 84, que devemos, portanto, expor e destacar perante todo o povo os objectivos democráticos gerais, sem dissimular um só instante as nossas convicçons socialistas. Nom é social-democrata aquele que, na prática, esquece que o seu dever consiste em ser o primeiro a levantar, acentuar e resolver todas as questons democráticas gerais.
«Mas todos, sem excepçom, estám de acordo com isso!» –interromperá o leitor impaciente–, e as novas instruçons à redacçom da Rab. Dielo, adoptadas no último congresso da Uniom, dim explicitamente: «Devem servir de motivos para a propaganda e agitaçom políticas todos os fenómenos e acontecimentos da vida social e política que afectem o proletariado directamente, como classe particular, seja como vanguarda de todas as forças revolucionárias na luita pola liberdade.» (Dous Congressos, p. 17, sublinhado por mim). Estas som, com efeito, palavras muito correctas e muito excelentes, e ficaríamos completamente satisfeitos se a Rab. Dielo as tivesse compreendido, se nom emitisse, ao mesmo tempo, outras que as contradim. Porque nom basta intitular-se «vanguarda», destacamento avançado: é preciso proceder de modo que todos os outros destacamentos vejam e sejam obrigados a reconhecer que marchamos à cabeça. E perguntamos ao leitor: será que os representantes dos outros «destacamentos» som tam estúpidos que nos vam julgar «vanguarda» só porque nós o dizemos? Imaginemos de modo concreto o seguinte quadro. Um social-democrata apresenta-se perante o «destacamento» de radicais ou de constitucionalistas liberais russos cultos e di: Nós somos a vanguarda; «agora, a nossa tarefa consiste em imprimir, na medida do possível, um carácter político à própria luita económica». Um radical ou constitucionalista, por pouco inteligente que seja (e entre os radicais e constitucionalistas russos há muitos homens inteligentes), ao ouvir estas palavras nom poderá deixar de sorrir e dizer (para si, bem entendido, porque na maior parte das vezes é um diplomata experimentado): «eis umha «vanguarda» bem ingénua! nom compreende sequer que é a nós, representantes avançados da democracia burguesa, que compete a tarefa de imprimir à própria luita económica dos operários um carácter político. Porque também nós, tal como todos os burgueses do Ocidente da Europa, queremos integrar os operários na política, mas só na política trade-unionista, e nom na política social-democrata. A política trade-unionista da classe operária é precisamente a política burguesa da classe operária. E a formulaçom que esta «vanguarda» fai da sua tarefa outra cousa nom é do que a formulaçom da política trade-unionista! Que se auto-intitulem social-democratas quantas vezes quigerem! nom som umha criança, nom me vou zangar por causa de um rótulo! Mas que nom se deixem levar por esses nefastos dogmáticos ortodoxos, que deixem a «liberdade de crítica» a aqueles que arrastam, inconscientemente, a social-democracia para o caminho trade-unionista!»
E o ligeiro sorriso do nosso constitucionalista transformará-se numha gargalhada homérica quando perceber que os social-democratas que falam da vanguarda da social-democracia, neste momento, quando o elemento espontáneo prevalece quase absolutamente no nosso movimento, temen, acima de tudo, «minimizar o elemento espontáneo», temem «subestimar a importáncia da marcha progressiva e da cinzenta luita quotidiana em comparaçom com a propaganda de ideias brilhantes e acabadas», etc, etc.! Um destacamento de «vanguarda» que receia que o consciente prevaleça sobre o espontáneo, que receia propugnar um «plano» audacioso que obrigue à aceitaçom geral mesmo por aqueles que pensam de outro modo! nom será que confundem a palavra vanguarda com a palavra retaguarda?
Meditade, com efeito, no seguinte raciocínio de Martínov. Na p. 40 declara que a táctica de denúncias do lskra é unilateral; que «por mais que semeemos a desconfiança e o ódio contra o governo, nom alcançaremos o nosso objectivo enquanto nom conseguirmos desenvolver umha energia social suficientemente activa para o seu derrubamento». Eis aqui, diga-se entre parêntesis, a preocupaçom, que já conhecemos, de intensificar a actividade das massas, tendendo, ao mesmo tempo, a restringir a sua própria. Mas nom se trata agora disto. Como vemos, Martínov fala aqui de energia revolucionária («para o derrubamento»). Mas a que conclusom chega? Como, em condiçons normais, as diferentes camadas sociais actuam inevitavelmente de forma dispersa, «é claro, portanto, que nós, social-democtatas, nom podemos simultaneamente dirigir a actividade enérgica dos diferentes sectores da oposiçom, nom podemos ditar-lhes um programa de acçom positivo, nom podemos indicar-lhes os processos com que há que luitar dia após dia para defender os seus interesses... Os sectores liberais preocuparám-se, eles próprios, com esta luita activa polos seus interesses imediatos, luita que os colocará frente a frente com o nosso regime político» (41). Assim, depois de ter começado a falar de energia revolucionária, de luita activa para o derrubamento da autocracia, Martínov desvia-se imediatamente para a energia sindical, para a luita activa polos interesses imediatos! É claro que nom podemos dirigir a luita dos estudantes, dos liberais, etc, polos seus «interesses imediatos»; mas nom era disso que se tratava, respeitável «economista»! Tratava-se da possível e necessária partipaçom das diferentes camadas sociais no derrubamento da autocracia, e esta «actividade enérgica dos diferentes sectores da oposiçom», nom só podemos, mas devemos, sem falta, dirigi-la, se queremos ser a «vanguarda». E quanto a levar os nossos estudantes, os nossos liberais, etc., «a enfrentar o nosso regime político», nom só eles próprios se preocuparám com isso mas, principalmente e sobretudo, preocuparám-se a própria polícia e os próprios funcionários do governo autocrático. Mas «nós», se queremos ser democratas avançados, devemos preocupar-nos com sugerir a aqueles que só estám descontentes com o regime universitário ou com o do zemstvo, etc., a ideia de que é mau todo regime político. Nós devemos assumir a tarefa de organizar umha ampla luita política, sob a direcçom do nosso partido, e tam multiforme que todos os sectores da oposiçom podam prestar e prestem efectivamente a esta luita, assim como ao nosso partido, a ajuda de que forem capazes. Nós devemos fazer dos militantes práticos social-democratas chefes políticos capazes de dirigir todas as manifestaçons desta luita multiforme, que saibam, no momento necessário, «ditar um programa positivo de acçom» aos estudantes em agitaçom, aos zémtsi descontentes, aos membros indignados das seitas, aos professores primários lesados nos seus interesses, etc., etc. Por isso, é completamente faIsa a afirmaçom de Martínov de que «só podemos desempenhar em relaçom com a eles o papel negativo de denunciadores do regime... Só podemos disipar as suas esperanças nas diferentes comissons governamentais» (sublinhado por mim). Ao dizer isto, Martínov mostra que nom compreende absolutamente nada sobre o verdadeiro papel de umha «vanguarda» revolucionária. E se o leitor tomar isto em consideraçom, compreenderá o verdadeiro sentido das seguintes palavras de conclusom de Martínov: «O Iskra é un órgao de oposiçom revolucionária que denuncia o estado de cousas reinante no nosso país e, sobretudo, o estado de cousas político, na medida em que esta se opom aos interesses das mais diversas camadas da populaçom. Quanto a nós, trabalhamos e trabalharemos pola causa operária em estreita ligaçom orgánica com a luita proletária. Ao restringir a esfera da nossa influência, tornamo-la mais acentuada» (63). O verdadeiro sentido de tal conclusom é: o Iskra quer elevar a política trade-unionista da classe operária (política à qual, por mal-entendido, por falta de preparaçom ou por convicçom, se limitam freqüentemente entre nós os mililantes práticos) ao nível da política social-democrata. Em contrapartida, a Rab. Dielo quer rebaixar a política social-democrata ao nível da política trade-unionista. E, como se isto nom bastasse, garante a toda a gente que «estas duas posiçons som perfeitamente compatíveis na obra comum» (63). O, sancta simplicitas 85!
Prossigamos. Temos nós forças suficientes para levar a nossa propaganda e a nossa agitaçom a todas as classes da populaçom? Certamente que sim. Os nossos «economistas», que tenhem muitas vezes tendência para o negar, esquecem os gigantescos progressos realizados polo nosso movimento de 1894 (mais ou menos) a 1901. Verdadeiros «seguidistas», tenhem, com freqüência, ideias próprias do período inicial do nosso movimento, já há muito tempo ultrapassado. Nessa altura as nossas forças eram de facto mínimas, era entom natural e legítima a resoluçom de nos consagrarmos inteiramente ao trabalho entre os operários e de condenarmos severamente todo o desvio desta linha; entom toda a tarefa consistia em consolidar-nos no seio da classe operária. Agora está integrada no movimento umha massa gigantesca de forças; vemos chegar até nós os melhores representantes da jovem geraçom das classes cultas; por toda a parte, encontram-se contra a sua vontade nas províncias pessoas que já tomárom ou querem tomar parte no movimento, que tendem para a social-democracia (enquanto em 1894 se podiam contar polos dedos os social-democratas russos). Um dos defeitos fundamentais do nosso movimento, tanto do ponto de vista político como do de organizaçom, é o de nom sabermos empregar todas estas forças e atribuir-lhes o trabalho adequado (voltaremos com mais pormenor a este assunto no capítulo seguinte). A imensa maioria destas forças está completamente impossibilitada de «ir aos operários»; por conseguinte, nom se pom o problema do perigo de desviar forças do nosso trabalho essêncial. E para ministrar aos operários conhecimentos politicos verdadeiros, vivos, que abarquem todos os aspectos, é necessário que tenhamos «homens nossos», social-democratas, em toda a parte, em todas as camadas sociais, em todas as posiçons que permitam conhecer as molas internas do nosso mecanismo estatal. E precisamos destes homens, nom só para a propaganda e a agitaçom, mas ainda, e sobretudo, para a organizaçom.
Existe terreno para actividade em todas as classes da populaçom? Aqueles que nom o vem provam umha vez mais que a sua consciência está em atraso em relaçom com o ascenso espontáneo das massas. Entre uns, o movimento operário suscitou e suscita o descontentamento; entre outros, desperta a esperança no apoio da oposiçom, a outros, dá-lhes a consciência da impossibilidade do regime autocrático, da inevitabilidade da sua derrocada. Nom seríamos «políticos» e social-democratas senom em palavras (como freqüentemente acontece, com efeito) se nom tivéssemos consciência do nosso dever de utilizar todas as manifestaçons de descontentamento de qualquer género e de reunir e elaborar todos os elementos de protesto, por embrionário que seja. Sem falar já no facto de que a massa de milhons de camponeses trabalhadores, de artesaos, de pequenos produtores, etc., escuitará sempre avidamente a propaganda de um social-democrata minimamente hábil. Mas existirá umha só classe da populaçom em que nom haja indivíduos, grupos, círculos descontentes com a falta de direitos e com a arbitrariedade e, por conseguinte, acessíveis à propaganda do social-democrata, como porta-voz que é das aspiraçons democráticas gerais mais urgentes? Aos que querem ter umha ideia concreta desta agitaçom política do social-democrata em todas as classes e camadas da populaçom, indicaremos as denúncias políticas, no sentido amplo do termo, como principal meio (mas nom o único, bem entendido) desta agitaçom.
«Devemos –escrevia eu no meu artigo Por Onde Começar? (Iskra, n.º 4, Maio de 1901), de que teremos de falar em pormenor mais adiante– despertar em todas as camadas do povo que tenham um mínimo de consciência a paixom polas denúncias políticas. Nom devemos assustar-nos por as vozes que denunciam politicamente serem actualmente tam débeis, raras e tímidas. A razom deste facto nom é, de forma algumha, umha resignaçom geral face à arbitrariedade policial. A razom está em que as pessoas capazes de denunciar e dispostas a fazê-lo nom tenhem umha tribuna donde podam falar, nom tenhem um auditório que escuite avidamente e encoraje os oradores; nom vem em parte algumha no povo umha força à qual valha a pena dirigir umha queixa contra o «todo-poderoso» governo russo... Agora, podemos e devemos criar umha tribuna para denunciar o governo tsarista perante todo o povo; e essa tribuna deve ser um jornal social-democrata.»
Tal auditório ideal para as denúncias políticas é precisamente a classe operária, que tem necessidade, antes e sobretudo, de amplos e vivos conhecimentos políticos, e que é a mais capaz de transformar esses conhecimenteos em luita activa, mesmo que esta nom prometa qualquer «resultado tangível». Quanto à tribuna para estas denúncias perante todo o povo, só pode ser um jornal destinado a toda a Rússia. «Sem um órgao político, seria inconcebível na Europa contemporánea um movimento que merecesse o nome de movimento político» e, neste sentido, por Europa contemporánea há que entender também, sem dúvida algumha, a Russia. No nosso país a imprensa tornou-se desde há muito umha força; se assim nom fosse, o governo nom gastaria dezenas de milhares de rublos a suborná-la e a subvencionar todas as espécies de Katkov e Mechtchérski. E nom constitui novidade na Rússia autocrática a imprensa ilegal romper as barreiras da censura e obrigar os órgaos legais e conservadores a falar dela abertamente. Assim aconteceu nos anos 70 e mesmo nos anos 50. E como som hoje mais amplos e profundos os sectores populares dispostos a ler a imprensa ilegal e a nela aprender «a viver e a morrer», para empregar a expressom de um operário, autor da carta publicada no n.° 7 do Iskra 86. As denúncias políticas som precisamente umha declaraçom de guerra ao governo, da misma maneira que as denúncias de tipo económico som umha declaraçom de guerra ao fabricante. E esta declaraçom de guerra terá um significado moral tanto maior quanto mais vasta e vigorosa for a campanha de denúncias, quanto mais numerosa e decidida for a classe social que declara a guerra para a iniciar. As denúncias políticas som pois, já por si, um dos meios mais poderosos para desagregar o regime adverso, separar o inimigo dos seus aliados fortuitos ou temporários e semear a hostilidade e a desconfiança entre os que participam continuamente no poder autocrático.
Só o partido que organize campanhas de denúncias realmente dirigidas a todo o povo poderá tornar-se, nos nossos dias, vanguarda das forças revolucionárias. As palavras «todo o povo» encerram um conteúdo muito grande. A imensa maioria dos denunciadores que nom pertencem à classe operária (e para ser vanguarda é necessário, precisamente, atrair outras clases) som políticos realistas e pessoas sensatas e com sentido prático. Sabem muito bem que é perigoso «queixar-se» mesmo de um modesto funcionário e fazê-lo contra o «todo-poderoso» governo russo ainda o é muito mais. Por isso, só se dirigirám a nós com queixas quando virem que estas podem ter efeito, que representamos umha força política. Para chegar a ser umha força política aos olhos do público é necessário trabalhar muito e obstinadamente para elevar o nosso grau de consciência, o nosso espírito de iniciativa e a nossa energia; para isso nom basta colar o rótulo de «vanguarda» numha teoria e numha prática de retaguarda.
Mas –perguntarám-nos e perguntam-nos já os partidários excessivamente zelosos da «estrita ligaçom orgánica com a luita proletária» –se nos devemos encarregar da organizaçom de denúncias dos abusos cometidos polo governo, dirigidas realmente a todo o povo, em que se manifestará entom o carácter de classe do nosso movimento? –Pois precisamente em sermos nós, os social-democratas, quem organizará essas campanhas de denúncias dirigidas a todo o povo, em que todas as questons levantadas na nossa agitaçom serám esclarecidas a partir de um ponto de vista invariavelmente social-democrata, sem a menor indulgência para com as deformaçons, intencionais ou nom, do marxismo; em que esta ampla agitaçom política multiforme será realizada por um partido que reúne, num todo indivisível, a ofensiva em nome de todo o povo contra o governo, a educaçom revolucionária do proletariado, salvaguardando ao mesmo tempo a independência política deste, a direcçom da luita económica da classe operária e a utilizaçom dos seus conflitos espontáneos com os seus exploradores, conflitos que ponhem de pé e atraem sem cessar para o nosso campo novas e novas camadas do proletariado!
Mas um dos aspectos mais característicos do «economismo» é precisamente nom compreender esta relaçom, mais ainda, nom compreender que a necessidade mais urgente do proletariado (educaçom política em todos os aspectos por meio da agitaçom política e das denúncias políticas) coincide com idêntica necessidade do movimento democrático geral. Esta incompreensom manifesta-se nom só nas frases «à Martínov», mas também em diferentes passagens, de significado absolutamente idêntico, em que os «economistas» invocam um pretenso ponto de vista de classe. Eis, por exemplo, como se exprimem a esse respeito os autores da carta «economista» publicada no n.° 12 do Iskra 87: «Este mesmo defeito fundamental do Iskra (a sobrestimaçom da ideologia) é a causa da sua inconseqüência nas questons relativas à atitude da social-democracia perante as diversas classes e tendências sociais. Resolvendo por meio de construçons teóricas...» (e nom baseando-se no «crescimento das tarefas do partido que crescem ao mesmo tempo que ele...») «a tarefa de passar imediatamente à luita contra o absolutismo e apercebendo-se, provavelmente de toda a dificuldade desta tarefa para os operários, dado o actual estado de cousas...» (e nom só apercebendo-se, mas sabendo muito bem que esta tarefa parece menos difícil aos operários do que aos intelectuais «economistas» que os tratam como crianças, pois os operários estám prontos a bater-se mesmo por reivindicaçons que nom prometam, para falar a linguagem do inolvidável Martínov, qualquer resultado tangível») .. «mas nom tendo a paciência de esperar que se tenham acumulado forças suficientes para esta luita, o Iskra começa a procurar aliados nas fileiras dos liberais e dos intelectuais».
Sim, sim, perdemos, com efeito, toda a «paciência» para «esperar» os dias felizes que nos prometem desde há muito os «conciliadores» de toda a espécie, e nos quais os nossos «economistas» deixarám de lançar sobre os operários a culpa do seu próprio atraso, de justificar a sua insuficiente energia pola pretensa insuficiência de forças dos operários. Em que, perguntaremos aos nossos «economistas», deve consistir a «acumulaçom de forças polos operários para esta luita»? nom é evidente que consiste na educaçom política dos operários, em pôr perante eles a nu todos os aspectos do nosso infame regime autocrático? E nom é claro que justamente para este trabalho necessitamos de ter «aliados entre os liberais e os intelectuais» prontos a traerem-nos as suas denúncias sobre a campanha política contra os zemtsi, os professores primários, os funcionários da estatista, os estudantes, etc.? É assim tam difícil compreender este assombrosamente «sábio mecanismo»? nom vos repete já P. B. Axelrod, desde 1897, que «o problema de os social-democratas russos conquistarem partidários e aliados directos ou indirectos entre as classes nom proletárias se resolve sobretudo e principalmente polo carácter da propaganda feita no seio do próprio proletariado»? Mas os Martínov e demais «economistas» continuam a crer, nom obstante, que os operários devem primeiro, por meio da «luita económica contra os patrons e o governo», acumular forças (para a política trade-unionista) e só depois «passar», segundo parece, da trade-unionista «educaçom da actividade» à actividade social-democrata!
«... Nas suas buscas –continuam os «economistas»- o Iskra desvia-se muitas vezes do ponto de vista de classe, escamoteando os antagonismos de classe e colocando em primeiro plano o carácter comum do descontentamento contra o governo, apesar de as causas e o grau deste descontentamento serem muito diferentes entre os «aliados». Tal é, por exemplo, a atitude do Iskra em relaçom com os zemstvos»... O lskra (segundo dim os «economistas») «promete aos nobres, descontentes com as esmolas governamentais, a ajuda da classe operária e, ao fazer isto, nom di umha única palavra acerca do antagonismo de classe que separa estes dous sectores da populaçom». Se o leitor consultar os artigos «A Autocracia e os Zemstvos» (n.º 2 e 4 do Iskra) 88, aos quais, polos vistos, os autores desta carta fam alusom, verá que som dedicados 89 à atitude do governo perante a «branda agitaçom do zemstvo burocrático baseado na divisom em estados sociais», perante a «actividade independente até mesmo das classes possuidoras». No artigo di-se que o operário nom pode contemplar com indiferença a luita do governo contra o zemstvo; convida os zemtsi a pôr de lado os seus brandos discursos e a pronunciar-se com palavras firmes e categóricas quando a social-democracia se levantar com toda a sua força contra o governo. Que tem isto de inaceitável para os autores da carta? Ninguém o sabe. Pensam eles que o operário «nom compreenderá», as palavras «classes possuidoras» e «zemstvo burocrático baseado na divisom em estados sociais»? Crem que o facto de pressionar os zemtsi a passar dos discursos brandos para as palavras categóricas é umha «sobrestimaçom da ideologia»? Imaginam que os operários podem «acumular forças» para a luita contra o absolutismo se nom sabem como este trata também os zemstvos? Mais umha vez ninguém o sabe. A única cousa que é clara é que os autores tenhem umha ideia muito vaga das tarefas políticas da social-democracia. Que assim é, di-nos ainda com maior clareza esta frase: «Idêntica é a atitude do Iskra perante o movimento estudantil» (quer dizer que também neste caso «escamoteia os antagonismos de classe») . Em lugar de exortar os operários a afirmar, por meio de umha manifestaçom pública, que a verdadeira origem da violência, da arbitrariedade e do desregramento nom é a juventude, universitária, mas o governo russo (Iskra n.° 2), devíamos, polo que se vê, ter publicado raciocínios concebidos no espírito do R. Misl! E tais opinions som expressas por social-democratas, no Outono de 1901, depois dos acontecimentos de Fevereiro e de Março, em vésperas de um novo ascenso do movimento estudantil, ascenso que revela que, também neste domínio, a «espontaneidade» do protesto contra a autocracia ultrapassa a direcçom consciente do movimento pola social-democracia. A aspiraçom espontánea dos operários a intervirem em defesa dos estudantes espancados pola polícia e polos cossacos ultrapassa a actividade consciente da organizaçom social-democrata!
«Entretanto, noutros artigos –continuam os autores da carta–, o Iskra condena violentamente todo o compromisso e defende, por exemplo, a posiçom de intoleráncia dos guesdistas.» Aconselhamos os que afirmam com tanta presunçom e ligeireza que as actuais divergências entre os social-democratas nom som essenciais nem justificam umha cisom a meditar seriamente nestas palavras. É possível o trabalho eficaz numha mesma organizaçom dos que afirmam que quase nada figemos ainda para demonstrar a hostilidade da autocracia em relaçom com as mais diversas classes e para revelar aos operários a oposiçom à autocracia por parte das mais diversas camadas da populaçom e dos que vem nesta actividade «um compromisso», evidentemente um compromisso com a teoria da «luita económica contra os patrons e o governo»?
Quando do quadragésimo aniversário da emancipaçom dos camponeses falamos da necessidade de levar a luita de classes ao campo (n.º 3); a propósito do memorando secreto de Witte, descrevemos (n.° 4) a incompatibilidade que existe entre os órgaos da administraçom autónoma local e a autocracia; a propósito da nova lei (n.° 8), atacamos o espírito feudal dos agrários e do governo que os serve, e saudamos o congresso ilegal dos zemstvos, encorajando os zemtsi a passar das petiçons humilhantes à luita (n.° 8), encorajamos os estudantes que, começando a compreender a necessidade da luita política, a empreendêrom (n.° 3), e, ao mesmo tempo fustigamos a «extravagante incompreensom» dos partidários do movimento «puramente universitário» que exortavam os estudantes a nom participarem nas manifestaçons de rua (n.° 3, a propósito do apelo de 25 de Fevereiro do Comité Executivo dos Estudantes de Moscovo); denunciamos os «sonhos absurdos» e a «mentira e hipocrisia» dos astutos liberais do jornal Rossia 90 (n.° 5), e ao mesmo tempo estigmatizamos (Golpe policial contra a Literatura, n.° 5) a furiosa repressom do governo de torturadores «contra pacíficos literatos, contra velhos professores e cientistas, contra conhecidos liberais dos zemstvos»; revelamos (n.° 6) o verdadeiro sentido do programa «de preocupaçom do Estado polo melhoramento da vida dos operários» e celebramos a «confissom preciosa» de que «mais vale prevenir com reformas de cima as reivindicaçons de reformas vindas de baixo do que esperar esta última eventualidade»; encorajamos (n ° 7) os funcionários da estatística no seu protesto e condenamos os funcionários que furavam a greve (n.º 9). Aquele que vê nesta táctica um obscurecimento da consciência de classe do proletariado e um compromisso com o liberalismo revela que nom compreende absolutamente nada do verdadeiro sentido do programa do Credo, e, de facto, aplica precisamente este programa por muito que o repudie! Efectivamente, por isso mesmo, arrasta a social-democracia para a «luita económica contra os patrons e o governo», e retrocede perante o liberalismo, renunciando à tarefa de intervir activamente em cada problema de carácter «liberal» e a determinar face a cada um destes problemas a sua própria atitude, a sua atitude social-democrata.
f) Mais umha vez «caluniadores», mais umha vez «mistificadores»
[83] Assim, durante a Guerra franco-prussiana, Liebknecht ditou um programa de acçom para toda a democracia, como o tinham feito, numha escala ainda maior, Marx e Engels em 1848.
[84] K. Marx e F. Engels, Manifesto do Partido Comunista, cap. IV. (N. Ed.)
[85] Ó santa simplicidade! (N. Ed.)
[86] No número 7 do Iskra, de Agosto de 1901, na secçom «Crónica do movimento operário e cartas de fábricas e empresas», foi publicada umha carta de um operário tecelám de Petersburgo, que testemunhava a enorme influência que o Iskra leninista exercia sobre os operários avançados (N. Ed).
[87] A falta de espaço nom nos permitiu dar no Iskra umha resposta completa e pormenorizada a esta carta tam característica dos «economistas». O seu aparecimento causou-nos umha verdadeira alegria porque há já muito tempo ouvíamos dizer, de diferentes lados, que ao lskra faltava um ponto de vista de classe conseqüente, e só esperávamos umha ocasiom favorável ou a expressom precisa desta acusaçom em voga para lhe responder. E temos por costume nom responder a um ataque com a defesa, mas com um contra-ataque.
[88] Trata-se do artigo de P. Struve A Autocracia e os Zemstvos, publicado nos n.º 2 e 4 do Iskra, de Fevereiro e Maio de 1901. A publicaçom no Iskra do artigo de Struve e, na Zariá, da «memória confidencial» de S. Witte A Autocracia e os Zemstvos, com um prefácio de P. Struve (R. N. S.), foi possível graças ao acordo estabelecido em Janeiro de 1901 entre as redacçons do Iskra e da Zariá e a «oposiçom democrática» (Struve). Este acordo, concluído por P. Axelrod e V. Zassúlitch, com a ajuda de G. Plekhánov e o voto contra de Lenine, durou pouco tempo: na Primavera de 1901, tornou-se manifesta a completa impossibilidade da colaboraçom dos social-democratas com os democratas burgueses, e o bloco com Struve desfijo-se (N. Ed.).
[89] E no intervalo entre o aparecimento destes artigos publicou-se (Iskra, n.º 3) um especialmente dedicado aos antagonismos de classe no campo. (N. Ed.)
[90] Rossia (Rússia): diário liberal moderado, editado em Petersburgo de 1889 a 1902 (N. Ed.).